Happy 458th anniversary, Sampa!

Sampa (Caetano Veloso)

Alguma coisa acontece no meu coração
Que só quando cruza a Ipiranga e a avenida São João
É que quando eu cheguei por aqui eu nada entendi
Da dura poesia concreta de tuas esquinas
Da deselegância discreta de tuas meninas

Ainda não havia para mim Rita Lee
A tua mais completa tradução
Alguma coisa acontece no meu coração
Que só quando cruza a Ipiranga e a avenida São João

Quando eu te encarei frente a frente não vi o meu rosto
Chamei de mau gosto o que vi, de mau gosto, mau gosto
É que Narciso acha feio o que não é espelho
E à mente apavora o que ainda não é mesmo velho
Nada do que não era antes quando não somos mutantes

E foste um difícil começo
Afasto o que não conheço
E quem vende outro sonho feliz de cidade
Aprende depressa a chamar-te de realidade
Porque és o avesso do avesso do avesso do avesso

Do povo oprimido nas filas, nas vilas, favelas
Da força da grana que ergue e destrói coisas belas
Da feia fumaça que sobe, apagando as estrelas
Eu vejo surgir teus poetas de campos, espaços
Tuas oficinas de florestas, teus deuses da chuva

Pan-Américas de Áfricas utópicas, túmulo do samba
Mais possível novo quilombo de Zumbi
E os novos baianos passeiam na tua garoa
E novos baianos te podem curtir numa boa

***

Just as in most songs in any language, it is hard to translate the exact meaning of the verses, but the song above is a declaration of love/hate to São Paulo written by Caetano Veloso, an influential Brazilian singer from Bahia.

I have translated the bits that I like the most below, so you get the gist of it. I think this song really conveys the feelings that many people have about this place, this rollercoaster of a city that is São Paulo. Happy 458th anniversary, my dear old Sampa. I love you, against all odds.

Something happens in my heart
Only when it crosses Ipiranga and São João Avenue
When I got here I didn’t understand anything
The concrete poetry of your street corners
Nor the discreet inelegance of your girls

(…)

And you were a difficult beginning
I get away from what I don’t know
And those who sell a different dream of a happy city
Soon learn to call you reality

(…)

From the people oppressed in the waiting lines, in the small streets, in the shanty towns
From the power of the money which rises and destroys beauty
From the ugly smoke that rises and erases the stars
I can see your poets of fields and space
Your forest factories, your rain gods rise

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